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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TAXA DE MAMOGRAFIA

Conceituação

Número de beneficiárias expostas na operadora na faixa etária de 50 a 69 anos, que realizaram exames de mamografia no ano considerado.

Método de cálculo

Nº de mulheres expostas entre 50 a 69 anos que realizaram exames de mamografia

---------------------------------------------------------------------------------------------------------- x 10.000

Nº de expostas de 50 a 69 anos  

Definição de termos utilizados no indicador

• Mamografia – exame radiológico para detecção de alterações do tecido mamário, utilizado para rastreamento do câncer de mama.

• Exposta – é definida como a beneficiária que tem o direito de usufruir a assistência à saúde no procedimento em questão no período considerado.

Interpretação do indicador

• É um indicador de cobertura que estima a proporção de mulheres que realizaram exame mamográfico na população beneficiária.

• O indicador permite avaliar indiretamente o alcance da mobilização da população beneficiária em relação ao rastreamento da doença num determinado período de tempo.

• Taxas reduzidas podem refletir dificuldade de sensibilização e captação da população beneficiária para o rastreamento de câncer de mama ou dificuldades de acesso ao serviço.  

Usos

• Avaliar a cobertura deste procedimento para detecção do câncer de mama.

• Analisar as variações temporais de cobertura do exame, por operadora, identificando tendências e situações de desigualdade que possam demandar a realização de estudos especiais.  

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações

• A sensibilidade da mamografia para detecção do câncer de mama varia entre 46% e 88% e é dependente dos seguintes fatores: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário, idade da paciente, qualidade do exame e habilidade de interpretação do radiologista (MS, 2002)

• Mulheres de alto risco para câncer de mama são aquelas que:

- têm um ou mais parentes de 1º grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama antes de 50 anos;

- têm um ou mais parentes de 1º grau (mãe, irmã, ou filha) com câncer de mama bilateral ou câncer de ovário;

- apresentam história familiar de câncer de mama masculina;

- apresentam lesão mamária proliferativa com atipia comprovada em biópsia.

- Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem ser submetidas à mamografia, anualmente, a partir dos 35 anos de idade (MS, 2004).

• Recomenda-se realizar uma mamografia, pelo menos a cada 2 anos, em mulheres de 50 a 69 anos de idade (MS, 2004).

• Ensaios clínicos sugerem redução de 15% na mortalidade por câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos, rastreada pela mamografia combinada com exame clínico (MS, 2002).

• A faixa etária de 50 a 69 anos é definida como prioritária para programas organizados de rastreamento populacional. A definição de faixa etária de risco não impede a realização de mamografia fora da faixa etária estabelecida pelo indicador.

Metas

Para este indicador foram estipulados critérios diferenciados de metas. Essas metas têm por objetivo discriminar as operadoras com condições de identificar seus beneficiários de acordo com as exigências do indicador. Ou seja, a primeira meta será para as operadoras que conseguirem identificar suas beneficiárias na faixa etária definida por uma mamografia anual por beneficiária. Essas operadoras terão como objetivo alcançar pelo menos 80% da população-alvo. A segunda meta será para as operadoras que não conseguem identificar seus beneficiários de acordo com os critérios estabelecidos pelo indicador, podendo apenas informar a quantidade total dos exames realizados dentro da faixa etária, sem especificar se é exame/beneficiária/ano. Para essas operadoras, o objetivo, além da cobertura, deverá ser a organização do seu sistema de informação; dessa forma, ela poderá ser avaliada de acordo com a primeira meta. Enquanto isso, a mesma obterá pontuação entre os níveis 0 e 2. O máximo do nível 2 seria o momento em que elas estariam realizando, pelo menos, um exame por beneficiária na faixa etária definida, o que significa exame para 100% das beneficiárias. Estas operadoras não pontuarão no nível 3.

Meta 1 - As operadoras com condições de identificar e discriminar o número de expostas nos grupos de risco citados acima devem realizar 01 (uma) mamografia anual em 80% das expostas de 50 a 69 anos de idade.

Meta 2 - As operadoras sem condições de identificar o total de beneficiárias que realizaram uma mamografia anual em 100% das expostas de 50 a 69 anos.

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador

• Incentivar o exame mamográfico para rastreamento do câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos e na população de risco elevado.

• Incentivar o exame clínico de mamas em todas as consultas ginecológicas, pelo menos uma vez ao ano, em especial na população nas faixas etárias de risco para a doença.

• Incentivar a divulgação de informações a respeito do câncer de mama e sua ocorrência nas diversas faixas etárias da população feminina dos fatores de risco – história familiar, obesidade, fumo, exposição à radiação ionizante, nuliparidade, etc. - garantindo às mulheres atendidas uma orientação adequada quanto à forma de prevenção desta doença.

• Pactuar e sensibilizar os prestadores sobre a importância do processo de prevenção e qualificação da assistência.

• Constituir sistema de informações que permita a definição do perfil epidemiológico (demográfico, de morbidade, de utilização, entre outros) da população beneficiária.

• Divulgar os indicadores e metas estabelecidas para as operadoras junto aos prestadores de serviço.

Limitações e vieses do indicador

• O número de expostas no período sob análise pode estar distorcido em função do tempo de "exposição", ou seja, do período de tempo que aquela beneficiária tem o direito de usufruir aquele procedimento naquela operadora em questão, considerando a possibilidade da influência de outros fatores sobre o tempo de exposição.

• A utilização do número de procedimentos como numerador no cálculo deste indicador, em lugar de utilizar o número de expostas que realizaram o exame, visa conferir maior fidedignidade ao resultado. Ou seja, é uma medida de avaliação da freqüência relativa da população beneficiária que está realizando o exame. Destarte, o mesmo não deve ser utilizado como único instrumento de avaliação da qualidade da assistência prestada por uma determinada operadora.

TAXA DE CITOLOGIA ONCÓTICA DE COLO DE ÚTERO

Conceituação

Número de exames citopatológicos de colo de útero realizados pela primeira vez em beneficiárias expostas da operadora, na faixa etária de 25 a 59 anos, no ano considerado.

Método de cálculo


  

Nº de exames citopatológicos de 1ª vez de 25 a 59 anos  

x 10.000  

Nº de expostas de 25 a 59 anos  

 


Definição de termos utilizados no indicador

• Exame citopatológico de colo do útero – exame de esfregaço de material do colo uterino para identificação de células atípicas.

• Exame de primeira vez – primeiro exame da mulher no período analisado, desconsiderando-se os exames repetidos para a mesma beneficiária no mesmo período.

• Exposta – É definida como a beneficiária que tem o direito de usufruir a assistência à saúde no procedimento em questão no período considerado.

Interpretação do indicador

• É um indicador de captação anual que permite a obtenção de cobertura do exame Papanicolaou, ou seja, estima a freqüência relativa da população beneficiária que está realizando o exame em relação ao total que deveria realizá-lo anualmente.

• O indicador permite avaliar o alcance da mobilização da população beneficiária em relação ao rastreamento citopatológico num determinado período de tempo.

• Taxas reduzidas podem refletir dificuldade de sensibilização para o rastreamento do câncer de colo de útero por parte da operadora sobre profissionais de saúde e beneficiárias, ou por dificuldades de acesso ao serviço.

Usos

• Estimar a cobertura deste procedimento para detecção precoce do câncer de colo de útero.

• Analisar as variações temporais da cobertura do exame, por operadora, identificando tendências e situações de desigualdade que possam demandar a realização de estudos especiais.

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações

• Segundo o Consenso do Seminário Interno de Prevenção e Controle do Câncer - INCA (MS), publicado nas Normas e Recomendações do INCA baseado nas recomendações do National Cancer Institute (www.cancer.gov), Canadian Task Force, U.S. Task Force e American Cancer Society o exame deve ser oferecido para mulheres com atividade sexual (MS, 2002). Entretanto, para garantir comparação com outros dados nacionais, utilizaremos a faixa etária de 25 a 59 anos.

• Programas de rastreamento, realizados com 1 exame citopatológico a cada 3 anos entre mulheres de 30 a 50 anos e a cada 6 anos entre 30 e 72 anos, apresentaram redução de 1/3 na taxa de mortalidade por câncer de colo de útero (MS, 2000).

• Considera-se grupo de risco todas as mulheres com vida sexual, na faixa etária de 25 a 59 anos.

• Mulheres em grupo de alto risco em função de serem HIV positivas ou imunodeprimidas devem realizar o rastreamento anualmente (MS, 2002).

• A periodicidade de rastreamento recomendada é um exame citopatológico a cada 3 anos, após 2 exames negativos em dois anos consecutivos, a partir do primeiro exame, para 80% das mulheres sob risco e o rastreamento anual (01 exame citopatológico) para 100% das beneficiárias dos grupos de alto risco (MS, 2002).

• Segundo a Organização Mundial de Saúde, os níveis de cobertura adequados para controle do câncer do colo de útero devem ser superiores a 80% na população alvo, em um determinado período de tempo (OMS, 2002).

• A faixa etária de 25 a 59 anos é definida como prioritária para programas de rastreamento populacional. A definição de faixa etária de risco não impede a realização de exame citopatológico do colo do útero fora da faixa etária estabelecida pelo indicador.

Metas

Para este indicador foram estipulados critérios diferenciados de metas. Essas metas têm por objetivo discriminar as operadoras com condições de identificar seus beneficiários de acordo com as exigências do indicador. Ou seja, a primeira meta será para as operadoras que conseguirem identificar suas beneficiárias na faixa etária definida, para os exames de citologia oncótica de primeira vez. Essas operadoras terão como objetivo alcançar pelo menos 80% da população-alvo. A segunda meta será para as operadoras que não conseguem identificar seus beneficiários de acordo com os critérios estabelecidos pelo indicador, podendo apenas informar a quantidade total dos exames realizados dentro da faixa etária, sem especificar se o exame é de primeira vez. Para essas operadoras, o objetivo, além da cobertura, deverá ser a organização do seu sistema de informação, assim ela poderá ser avaliada de acordo com a primeira meta. Enquanto isso, a mesma obterá pontuação entre os níveis 0 e 2. O máximo do nível 2 seria o momento em que elas estariam, pelo menos, realizando um exame por beneficiária na faixa etária definida, o que significa exame para 100% das beneficiárias. Estas operadoras não serão pontuadas no nível 3.

Meta 1 - As operadoras com condições de identificar e discriminar o total de beneficiárias na faixa etária definida devem utilizar a periodicidade de rastreamento a cada 3 anos, após 2 exames citopatológicos negativos consecutivos, a partir do primeiro exame, para 80% das expostas sob risco estabelecido.

Meta 2 - As operadoras sem condições de identificar o número de beneficiárias de primeira vez devem realizar, pelo menos, um exame citopatológico em 100% das expostas na faixa etária de 25 a 59 anos de idade.

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador

• Capacitar os profissionais de saúde no sentido de assegurar o exame citológico (Papanicolaou) durante a consulta ginecológica, seguindo protocolo previamente definido.

• Incentivar a divulgação de informações a respeito do câncer de colo uterino e sua ocorrência nas diversas faixas etárias da população feminina, dos fatores de risco - como a infecção por HPV -, garantindo orientação adequada quanto à forma de prevenção desta doença às mulheres atendidas nos serviços de saúde.

• Pactuar e sensibilizar os prestadores sobre a importância do processo de prevenção e qualificação da assistência.

• Constituir sistema de informações que permita a definição do perfil epidemiológico (demográfico, de morbidade, de utilização, entre outros) da população beneficiária.

• Divulgar os indicadores e metas estabelecidas para as operadoras junto aos prestadores de serviço.

Limitações e vieses do indicador

• O número de expostas, no período sob análise, pode estar distorcido em função do tempo de "exposição", ou seja, do período de tempo em que aquela beneficiária tem o direito de usufruir aquele procedimento naquela operadora em questão, considerando a possibilidade da influência de outros fatores sobre o tempo de exposição.

• A utilização do número de procedimentos de 1ª vez como numerador no cálculo deste indicador, em lugar de utilizar o número de expostas que realizaram o exame, visa reduzir a possibilidade de superestimação do mesmo, o que ocorreria com a inclusão de beneficiárias que realizaram mais de um exame num mesmo período.

• A utilização do número de procedimentos de primeira vez como numerador na fórmula deste indicador permite identificar a quantidade de mulheres, conferindo maior fidedignidade aos resultados.

• Considerando as informações mencionadas anteriormente acerca do uso deste indicador e que este serve para estimar a freqüência de utilização deste procedimento, o mesmo não deve ser utilizado como único instrumento de avaliação da qualidade da assistência prestada por uma determinada operadora.

TAXA DE INTERNAÇÕES POR DOENÇAS CEREBROVASCULARES

Conceituação

Número de internações por doenças cerebrovasculares em relação ao total de expostos da operadora no ano considerado.

Método de cálculo


  

Nº internações por doenças cerebrovasculares  

x 10.000  

Total de expostos  

 


Definição de termos utilizados no indicador

Internações por doenças cerebrovasculares: são aqueles casos que demandam internação hospitalar, classificados entre I 60 a I 69 do Capítulo IX da CID-10 (OMS, 1997).

Expostos: definido como o beneficiário que tem o direito de usufruir a assistência à saúde no item de despesa assistencial em questão, no período considerado.

Interpretação do indicador

• Mede a participação relativa das internações por doenças cerebrovasculares em relação à população exposta da operadora no ano considerado.

• A distribuição das causas de internação – no caso as doenças cerebrovasculares – reflete a demanda ambulatorial e hospitalar que, por sua vez, é condicionada pela oferta de serviços pela operadora.

• Permite avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para a saúde) das doenças crônico-degenerativas não transmissíveis.

Usos

• Identificar casos na população beneficiária (especialmente hipertensos e diabéticos) e orientar a adoção de medidas de controle.

• Avaliar indiretamente a qualidade do atendimento prestado aos pacientes com hipertensão arterial e diabetes Mellitus.

• Analisar as variações temporais, para a operadora, na distribuição relativa das internações hospitalares de doenças cerebrovasculares, identificando situações de desequilíbrio que possam merecer atenção especial.

• Contribuir para a realização de análises comparativas da concentração de recursos médico-hospitalares, disponíveis para tratamento das doenças cerebrovasculares para a população beneficiária da peradora.

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações

• Na faixa etária de 30 a 60 anos, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 14% da totalidade de internações, sendo 17,2% por acidente vascular encefálico (AVE) ou infarto agudo do miocárdio (IAM) resultando em gastos da ordem de 25,7% do total (MS, 2001).

• Nos Estados Unidos, o percentual de controle da hipertensão (isto é, pessoas que mantêm a PA < 140/90 mmHg) estava em 27,4% entre 1991–94, e no Canadá, em torno de 29%. No Brasil, os dados existentes decorrem de estudos de segmentos populacionais selecionados. Com base nesses dados, o Ministério da Saúde estima que, de 43 milhões de adultos com pressão arterial >140 mmHg e/ou 95 mmHg, cerca de 15 milhões (35%) desconhecem a condição. Em relação ao tratamento, a estimativa é de que apenas 3 milhões (7%) estejam sendo tratados e que o percentual de controle se situe entre 25 a 30% (Guimarães, 2002).

• Pacientes diabéticos representam cerca de 30% dos pacientes que se internam em unidades coronarianas intensivas com dor precordial (Mendonça, 2003).

• O diabetes Mellitus vem aumentando sua importância pela crescente prevalência. Calcula-se que, em 2025, possam existir cerca de 11 milhões de diabéticos no país, o que representa um aumento de mais de 100% em relação aos atuais 5 milhões de diabéticos no ano 2000. No Brasil, os dados do estudo multicêntrico sobre a prevalência de diabetes (1987/89) demonstraram uma prevalência de 7,6% na população de 30 a 69 anos (MS, 2001).

• As doenças cerebrovasculares correspondem a 15% (em média) do conjunto de internações por doenças cardiovasculares no Brasil no período de 1998 a 2003, conforme discriminado abaixo:


 

Proporção de internações por causas cardiovasculares

Brasil - 1998/2003

Causas cardiovasculares  

%  


  

.. Insuficiência cardíaca  

33,8  

33,8  

.. Hipertensão essencial (primária)  

10,1  

14,2  

.. Outras doenças hipertensivas  

4,1  

.. Infarto agudo do miocárdio  

3,7  

13,5  

.. Outras doenças isquêmicas do coração  

9,8

.. Acidente vascular cerebral não especificado  

8,6  

15,0  

.. Outras doenças cerebrovasculares  

3,4  

.. Hemorragia intracraniana  

2,3  

.. Infarto cerebral  

0,7  

Fonte dos dados: SIH/SUS  


  


  

A média da taxa nacional de internação por doenças cerebrovasculares, durante o período de 1998 a 2003 (SIH, 2004), foi de 8,03 internações por 10.000 habitantes, conforme discriminado abaixo:


 

Taxa de internação por doenças cerebrovasculares por 10.000 habitantes

Brasil e regiões – 1998 / 2003

Região  

1998 

1999 

2000 

2001  

2002  

2003 

Região Norte  

3,39 

3,21 

2,92 

3,09  

4,69  

4,63 

Região Nordeste  

7,08 

8,02 

7,52 

7,98  

7,71  

6,91 

Região Sudeste  

9,84 

10,09 

9,62 

9,60  

9,13  

8,80 

Região Sul  

6,93 

7,49 

6,51 

6,39  

7,86  

7,81 

Região Centro-Oeste

6,86 

7,69 

7,70 

7,52  

8,19  

8,07 

Total  

7,95 

8,45 

7,93 

8,03  

8,14  

7,75 

Fonte: SIH/DATASUS; IBGE

Meta

15% abaixo da taxa nacional, que é de 8,03 internações por doenças cerebrovasculares por 10.000 expostos no período de 1 ano, ou seja, a meta para a operadora deve ser de 6,83 internações por doenças cerebrovasculares por 10.000 expostos no período de 1 ano (nível 3).

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador

Captar e tratar precocemente os casos de diabetes Mellitus e hipertensão arterial.

Acompanhar de forma sistemática os casos identificados, no sentido de controle da doença.

• Implementar ações educativas para profissionais, para diabéticos e hipertensos e seus familiares, no sentido de remover fatores de risco para o agravamento do quadro de diabetes Mellitus e hipertensão arterial.

• Constituir sistema de informações que permita a definição do perfil epidemiológico (demográfico, de morbidade, de utilização, entre outros) da população beneficiária.

• Divulgar indicadores e metas estabelecidas para as operadoras junto aos prestadores de serviço.

• Sensibilizar e pactuar com os prestadores sobre a importância da prevenção e qualificação da assistência.

Limitações e vieses do indicador

• A oferta de serviços de um sistema de saúde reflete sua disponibilidade de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros, bem como os critérios técnico-administrativos de pagamento adotados.

• O indicador é influenciado pela contagem cumulativa de internações de um mesmo paciente, pela mesma causa, no período analisado.

• O sistema de informação utilizado pode não detectar inconsistências na classificação de morbidade informada.

• Análise do indicador em populações muito pequenas: no caso de municípios, Soares et al (2001) explica que quando a população de determinado município for muito pequena, os resultados do indicador podem apresentar dificuldades na sua interpretação. Para evitar problemas desse tipo, deve-se realizar a análise conjunta dos dados, em série de anos ou grupo de municípios.

TAXA DE INTERNAÇÕES POR INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

Conceituação

Número de internações por infarto agudo do miocárdio em relação ao total de expostos da operadora no ano considerado.

Método de cálculo


  

Nº de internações por infarto agudo do miocárdio  

x 10.000  

Total de expostos  

 


Definição de termos utilizados no indicador

Internações por Infarto Agudo do Miocárdio: São aqueles casos que demandam internação hospitalar, classificados entre os códigos I 22 a I 23, do Capítulo IX, da CID-10 (OMS, 1997).

Expostos: É definido como o beneficiário que tem o direito de usufruir a assistência à saúde no item de despesa assistencial em questão no período considerado.

Interpretação do indicador

  1. • Mede a participação relativa das internações por infarto agudo do miocárdio em relação à população exposta da operadora no ano considerado.
  2. • A distribuição das causas de internação – no caso, o infarto agudo do miocárdio – reflete a demanda ambulatorial e hospitalar que, por sua vez, é condicionada pela oferta de serviços pela operadora.
  3. • Permite avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para a saúde) das doenças crônico-degenerativas não transmissíveis.

Usos

  1. • Identificar casos na população beneficiária (especialmente hipertensos e diabéticos) e orientar a adoção de medidas de controle.
  2. • Avaliar indiretamente a qualidade do atendimento prestado aos pacientes com hipertensão arterial e diabetes Mellitus.
  3. • Analisar as variações temporais, para a operadora, na distribuição relativa das internações hospitalares de infarto agudo do miocárdio, identificando situações de desequilíbrio que possam merecer atenção especial.
  4. • Contribuir na realização de análises comparativas da concentração de recursos médico-hospitalares disponíveis para tratamento do infarto agudo do miocárdio, para a população beneficiária da operadora.

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações

  1. • Nos Estados Unidos, o percentual de controle da hipertensão (isto é, pessoas que mantêm a PA < 140/90 mmHg) estava em 27,4% entre 1991–94 , e no Canadá, em torno de 29,4%. No Brasil, os dados existentes decorrem de estudos de segmentos populacionais selecionados. Com base nesses dados, o Ministério da Saúde estima que, de 43 milhões de adultos com pressão arterial > 140 mmHg e/ou > 95 mmHg, cerca de 15 milhões (35%) desconhecem a condição. Em relação ao tratamento, a estimativa é de que apenas 3 milhões (7%) estejam sendo tratados e que o percentual de controle se situe entre 25 a 30% (Guimarães, 2002).
  2. • O diabetes Mellitus vem aumentando sua importância pela crescente prevalência. Calcula-se que, em 2025, possam existir cerca de 11 milhões de diabéticos no país, o que representa um aumento de mais de 100% em relação aos atuais 5 milhões de diabéticos, no ano 2000. No Brasil, os dados do estudo multicêntrico sobre a prevalência de diabetes (1987/89) demonstraram uma prevalência de 7,6% na população de 30 a 69 anos (MS, 2001).
  3. • Pacientes diabéticos representam cerca de 30% dos pacientes que internam em unidades coronarianas intensivas com dor precordial (Mendonça, 2003).
  4. • Na faixa etária de 30 a 60 anos, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 14% da totalidade de internações, sendo 17,2% por acidente vascular encefálico (AVE) ou infarto agudo do miocárdio (IAM) resultando em gastos da ordem de 25,7% do total (MS, 2001).
  5. • As doenças isquêmicas do coração (das quais o infarto agudo do miocárdio equivale a 3,7%) correspondem a 13,5% (em média) do conjunto de internações por doenças cardiovasculares no Brasil no período de 1998 a 2003, conforme discriminado abaixo:

 
 

Proporção de internações por causas cardiovasculares

Brasil - 1998/2003

Causas cardiovasculares  

%  


  

.. Insuficiência cardíaca  

33,8  

33,8  

.. Hipertensão essencial (primária)  

10,1  

14,2  

.. Outras doenças hipertensivas  

4,1  

.. Infarto agudo do miocárdio  

3,7  

13,5  

.. Outras doenças isquêmicas do coração

9,8  

.. Acidente vascular cerebral não especificado  

8,6  

15,0  

.. Outras doenças cerebrovasculares  

3,4  

.. Hemorragia intracraniana  

2,3  

.. Infarto cerebral  

0,7  

Fonte dos dados: SIH/SUS  


  


  

A média da taxa nacional de internação por infarto agudo do miocárdio, no período de 1998 a 2003 (SIH, 2004), foi de 2,46 internações por infarto agudo do miocárdio por 10.000 habitantes, conforme discriminado abaixo:

Taxa de internação por infarto agudo do miocárdio por 10.000 habitantes

Brasil e regiões – 1998 / 2003

Região  

1998 

1999 

2000 

2001  

2002  

2003  

Região Norte  

0,72 

0,77 

0,90 

0,94  

0,93  

1,02  

Região Nordeste  

1,10 

1,22 

1,27 

1,39  

1,62  

1,72  

Região Sudeste  

2,78 

3,04 

3,14 

3,15  

3,42  

3,76

Região Sul  

3,09 

3,32 

3,30 

3,38  

3,70  

3,87  

Região Centro-Oeste  

1,43 

1,59 

1,64 

1,70  

1,96  

2,23  

Total  

2,11 

2,30 

2,36 

2,42  

2,66  

2,89  


Fonte: SIH/DATASUS; IBGE

Meta

15% abaixo da taxa nacional, que é de 2,46 internações por infarto agudo do miocárdio por 10.000 expostos no período de 1 ano, ou seja, a meta para a operadora deve ser de 2,09 internações por infarto agudo do miocárdio por 10.000 expostos no período de 1 ano (nível 3).

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador

Captar e tratar precocemente os casos de diabetes Mellitus e hipertensão arterial.

Acompanhar de forma sistemática os casos identificados, no sentido de controle da doença.

Implementar ações educativas para profissionais, para os diabéticos e os hipertensos e seus familiares, no sentido de remover fatores de risco para o agravamento do quadro de diabetes Mellitus e hipertensão arterial.

Constituir sistema de informações que permita a definição do perfil epidemiológico (demográfico, de morbidade, de utilização, entre outros) da população beneficiária.

Divulgar indicadores e metas estabelecidas para as operadoras junto aos prestadores de serviço.

Sensibilizar e pactuar com os prestadores sobre a importância da prevenção e qualificação da assistência.

Limitações e vieses do indicador

A oferta de serviços de um sistema de saúde reflete sua disponibilidade de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros, bem como os critérios técnico-administrativos de pagamento adotados.

O indicador é influenciado pela contagem cumulativa de internações de um mesmo paciente, pela mesma causa, no período analisado.

O sistema de informação utilizado pode não detectar inconsistências na classificação de morbidade informada.

A análise do indicador em populações muito pequenas pode prejudicar sua avaliação. No caso de municípios, Soares et al (2001) explica que quando a população de determinado município for muito pequena, os resultados do indicador podem apresentar dificuldades na sua interpretação. Para evitar problemas desse tipo, deve-se realizar a análise conjunta dos dados, em série de anos ou grupo de municípios.

TAXA DE INTERNAÇÕES POR DIABETES MELLITUS

Conceituação

Número de internações por diabetes Mellitus em relação ao total de expostos da operadora no ano considerado.

Método de cálculo


  

Nº de internações por diabetes Mellitus  

x 10.000  

Total de expostos  

 


Definição de termos utilizados no indicador

Internações por diabetes Mellitus: são internações hospitalares decorrentes de diabetes Mellitus, classificadas como E 10 a E 14, do Capítulo IV da CID-10 (OMS, 1997).

Expostos: é definido como o beneficiário que tem o direito de usufruir a assistência à saúde no procedimento em questão, no período considerado.

Interpretação do indicador

  1. É uma medida de morbidade hospitalar por diabetes Mellitus, no âmbito da operadora.
  2. Mede a participação relativa das internações por diabetes Mellitus em relação à população exposta da operadora no ano considerado.
  3. A distribuição das causas de internação – no caso o diabetes Mellitus – reflete a demanda ambulatorial e hospitalar que, por sua vez, é condicionada pela oferta de serviços pela operadora.
  4. Permite avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para a saúde) das doenças crônico-degenerativas não transmissíveis.

Usos

  1. Identificar casos na população beneficiária e orientar a adoção de medidas de controle.
  2. Avaliar indiretamente o atendimento bem como o monitoramento dos pacientes com diabetes Mellitus.
  3. Analisar as variações temporais, para a operadora, na distribuição relativa das internações hospitalares de diabetes Mellitus, identificando situações de desequilíbrio que possam merecer atenção especial.
  4. Contribuir na realização de análises comparativas da concentração de recursos médico-hospitalares disponíveis para tratamento do diabetes Mellitus, para a população beneficiária da operadora.

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações

  1. O diabetes Mellitus vem aumentando sua importância pela crescente prevalência. Calcula-se que, em 2025, possam existir cerca de 11 milhões de diabéticos no País, o que representa um aumento de mais de 100% em relação aos atuais 5 milhões de diabéticos no ano 2000. No Brasil, os dados do estudo multicêntrico sobre a prevalência de diabetes (1987/89) demonstraram uma prevalência de 7,6% na população de 30 a 69 anos (MS, 2001).
  2. Diabetes Mellitus, como o diagnóstico primário de internação hospitalar, aparece como a sexta causa freqüente e contribui de forma significativa (30% a 50%) para outras causas, como cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca, colecistopatias, acidente vascular cerebral e hipertensão arterial (Mendonça, 2003).
  3. O item diabetes Mellitus corresponde a 39% (em média) do total de internações do Capítulo IV (Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas), entre 1998 e 2003, no Brasil (DATASUS, 2004).
  4. Pacientes diabéticos representam cerca de 30% dos pacientes que se internam em unidades coronarianas intensivas com dor precordial (Mendonça, 2003). A média da taxa de internações por diabetes Mellitus, no período de 1998 a 2003 (SIH, 2004), foi de 7,05 internações por 10.000 habitantes.

Taxa de internações por Diabetes Mellitus* por 10.000 habitantes

Brasil e regiões – 1998 / 2003

Região  

1998 

1999 

2000 

2001 

2002  

2003  

Região Norte  

3,78 

4,46 

4,45 

5,11 

4,46  

4,13  

Região Nordeste  

5,35 

5,83 

6,11 

6,49 

5,91  

5,27  

Região Sudeste  

7,57 

8,22 

8,05 

7,83 

7,49  

7,03  

Região Sul  

6,22 

7,40 

9,33 

9,64 

9,62

8,38  

Região Centro-Oeste  

5,95 

7,48 

7,97 

8,33 

7,80  

8,50  

Total  

6,44 

7,09 

7,42 

7,55 

7,15  

6,61  

Fonte: SIH/DATASUS; IBGE

* Excluídos os ignorados

Meta

15% abaixo da taxa nacional, que é de 7,05 internações por diabetes Mellitus por 10.000 expostos no período de 1 ano, ou seja, a meta da operadora deve ser de 5,95 internações por diabetes Mellitus por 10.000 expostos no período de 1 ano (nível 3).

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador

• Captar e tratar precocemente os casos de diabetes Mellitus.

• Acompanhar de forma sistemática os casos identificados, no sentido de controle da doença.

• Implementar ações educativas para profissionais, para os diabéticos e familiares, no sentido de remover fatores de risco para o agravamento do quadro de diabetes Mellitus.

• Constituir sistema de informações que permita a definição do perfil epidemiológico (demográfico, de morbidade, de utilização, entre outros) da população beneficiária.

• Divulgar indicadores e metas estabelecidas para as operadoras junto aos prestadores de serviço.

• Sensibilizar e pactuar com os prestadores sobre a importância da prevenção e qualificação da assistência.

Limitações e vieses do indicador

O indicador é influenciado pela contagem cumulativa de internações de um mesmo paciente, pela mesma causa, durante o período analisado.

O sistema de informação utilizado pode não detectar inconsistências na classificação da causa de morbidade informada.

Freqüentemente o diabetes Mellitus não é a causa principal da internação, mas sim uma de suas complicações. O diabetes é a principal causa de amputação de membros inferiores, a principal causa de cegueira adquirida e de insuficiência renal crônica (cerca de 26% dos pacientes que ingressam em programas de diálises são diabéticos) (Mendonça, 2003).

Sugere-se a avaliação desse indicador por faixa etária em função dos diferentes perfis de morbidade por diabetes Mellitus (tipos I e II).

A análise do indicador em populações muito pequenas pode prejudicar sua avaliação. No caso de municípios, Soares et al (2001) explica que quando a população de determinado município for muito pequena, os resultados do indicador podem apresentar dificuldades na sua interpretação. Para evitar problemas desse tipo, deve-se realizar a análise conjunta dos dados, em série de anos ou grupo de municípios.